segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Tempo de Estágio.

        Minha trajetória é diferente das relatadas. Tenho 22 anos e 2 deles lecionando como professora regente. Sempre quis ser professora, só não me matriculei no conhecido "normal", durante o Ensino Médio, porque tive medo de não passar no vestibular... Me disseram que eu não teria as disciplinas curriculares normais: física, química,biologia... Me graduei em Pedagogia (UERJ), trabalhei em uma escola particular e atualmente estou no Município do Rio. Prefiro estar com os estudantes do 1º ciclo do Ensino Fundamental.
 


      Esta fotografia é do meu tempo de estudante. Mas, um tempo bem recente. Não sou nenhuma das crianças. Estou do outro lado da fotografia, com a a mão na máquina.
       Esta foi minha primeira turma. E escrevo minha, porque era assim de fato. Mesmo que ainda graduanda e na condição de estagiária,também era responsável pela classe. 
     Tive a alegria de compartilhar, conviver, um ano inteiro com uma professora maravilhosa, que me auxiliava e respeita.
       Neste estágio, tive a oportunidade de produzir, não  só cartazes  e murais, como muitos alunos da graduação , mas o próprio projeto a ser vivido com as crianças. E ao contrário do que via acontecer, com colegas que eram distanciados por professores e instituições, do fazer pedagógico, sendo encarregados somente do "tomar conta", eu tinha aceso ao planejamento das aulas, as cadernetas e avaliações.
       Não esqueço a primeira vez que escrevemos nosso comunicado  aos pais e responsáveis  da turma! Lá no fim do papel: 

Beijos, Rosa e Ana.

        Como se fossemos "iguais", uma dupla.  
       Jamais me desautorizou. Mesmo quando não concordava com minhas atitudes, esperava pacientemente o fim da aula para conversarmos. 
        Rosinha, me aconselhou, recomendou livros, contou histórias e passou conhecimentos adquiridos durante os 23 anos de carreira. 
         As crianças também tinham voz e bem ativa!

         Foi nessa escola, nessa sala, com esta professora, que vivi tais palavras de Paulo Freire:


"Escola é...

o lugar onde se faz amigos

não se trata só de prédios, salas, quadros,

programas, horários, conceitos...

Escola é, sobretudo, gente,

gente que trabalha, que estuda,

que se alegra, se conhece, se estima.

O diretor é gente,

O coordenador é gente, o professor é gente,

o aluno é gente,

cada funcionário é gente.

E a escola será cada vez melhor

na medida em que cada um

se comporte como colega, amigo, irmão.

Nada de ‘ilha cercada de gente por todos os lados’.

Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir

que não tem amizade a ninguém

nada de ser como o tijolo que forma a parede,

indiferente, frio, só.

Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,

é também criar laços de amizade,

é criar ambiente de camaradagem,

é conviver, é se ‘amarrar nela’!

Ora , é lógico...

numa escola assim vai ser fácil

estudar, trabalhar, crescer,

fazer amigos, educar-se,

ser feliz."

Ali, todos nós éramos GENTE.

Quando hoje, tenho dificuldades com estudantes e colegas de trabalho, me recordo como fui tão "levada em conta", tão bem tratada... Mesmo com as minha limitações.

Abraços, Ana Carolina.

Agora é a vez de vocês!
Aguardo mensagens e imagens do tempo de estudante!

3 comentários:

  1. Carol,
    Que linda e vasta experiência você tem! Assim como você, também fiquei com receio de fazer o curso normal. Mas hoje sou duplamente professora, pois sou formada em História e até o fim deste ano me formarei em Pedagogia. E pretendo estudar muito mais, para que a minha prática seja fortalecida com reflexões, nova idéias e conceitos.
    Beijos em todos!
    Isabella

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  2. Olá Ana Carolina, saudações!
    Como ficou acolhedor esse cantinho para trocas!
    Parabéns pela iniciativa,fico feliz ao perceber que "as coisas estão mudando", pois há muito requeria esse contato mais afetivo com os Tutores, vcs da Equipe de Seminário V estão dando um show!
    Bjs
    Tania Loos

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  3. Parabéns a toda equipe de Seminário V, este blog é mesmo a "cara" de todos que participaram e contaram a sua história, que não teria sido relembrada se não tivéssemos tido este momento ímpar.

    Nossa experiência juntos me pareceu com esse poema do Fernando Pessoa que aqui compartilho:

    Partiu-se o espelho mágico em que revia idêntico,
    e em cada fragemento fatídico vejo só um bocado de mim - Um bocado de te e de mim!...
    Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
    Quanto mais personalidades eu tiver,
    Quanto mais intensamente, estridente as tiver,
    Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
    Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
    Estiver, sentir, viver, for,
    Mais possuirei a existência total do universo,
    Mais completo serei pelo espação inteiro fora.

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